
Não se trata apenas do primeiro filme do diretor francês François Truffaut, trata-se também de uma obra singela e amarga sobre como é difícil ser adulto na infância, e de um clássico do movimento que deu novos ares ao cinema, a nouvelle vague . Os incompreendidos aborda esse tema com doses de alegria, mas com melancolia em seu todo.
O ator Jean-Pierre Léaud rouba a cena fazendo o papel de Doinel, um estudante com problemas na escola, relacionamento difícil com seus pais e certas crises de identidade. Em meio a vida do garoto, podemos ver a Paris do final dos aos 50, em uma fotografia em Preto e Branco grandiosa.
Truffaut que era um apaixonado por crianças, nos presenteia com tomadas inesquecíveis, como a cena em que várias delas assitem compenetradas um teatro de fantoches. O diretor mostra espanto, alegria, e outros sentimentos na expressão dessas crianças, e isso nos prende por alguns minutos, com uma beleza ímpar.
O personagem Doinel foi interpretado por Léaud em mais quatro filmes do diretor, num triangulo diretor-personagem-ator. Antoine e Colette (1963), Beijos Proibidos (1968), Domicílio Conjugal (1970) e O Amor em Fuga (1979), são os títulos.
Passados mais de quarenta anos, Os incompreendidos nos mostra que cinema pode ser ainda melhor com o tempo.

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