quinta-feira, 5 de maio de 2011

Cashback

Cashback é o segundo filme do jovem diretor Sean Ellis, e um dos primeiros a tratar de amor de uma forma nada convencional. Aqui somos apresentados a Ben, um estudante de artes plásticas, mais um jovem normal, como eu ou você, que acaba de terminar seu namoro de dois anos e meio com a exuberante Suzy. Após esse fatídico fato na vida do protagonista, ele passa a trabalhar no turno noturno do supermercado local, e a partir daí, toda a inventividade e talento do jovem diretor citado acima entram em ação.

Contando com um elenco secundário afiado na comédia, o peso que se instala nas costas de Ben trata de afastar esse sentimento cômico e nos faz mergulhar em um emaranhado de pensamentos e lembranças que traçam um perfil magnifíco de uma juventude que parece não ter tempo para analisar as coisas bonitas da vida. No supermercado, Ben conhece colegas que possuem formas pouco convecionais para afastar o tédio das oito horas de trabalho diárias. Para Ben, essa forma se mostra como um poder fenomenal de parar o tempo, e consequentemente, as pessoas.

Com isso, Ben é capaz de analisar e sentir a beleza mais profunda, esteja esta onde estiver. O tempo que nos falta na correria do dia a dia é lindamente retratado em uma fotografia entorpecente de tão linda. Cores e mais cores permeiam essa estória que ganha mais um triunfo, já que a originalidade inglesa em fragmentar casos e juntá-los de forma única é pungente.

Cashback me encantou, como há tempos filmes que tratam dessa força desconhecida, que a maioria chama de amor não faziam. Vejam e regozijem-se.

terça-feira, 22 de março de 2011

Procurando Elly



Movimento, carros, pessoas gritando com suas cabeças fora do veículo em movimento, é baseado nesse frenesi, que somos iniciados em Procurando Elly, drama iraniano que nos mostra um irã - e seus moradores - em uma visão contemporânea, bem diferente da qual estamos habituados. Com a segura e competente direção de Asghar Farhadi que têm na bagagem, nada mais nada menos, que um Urso de Prata, equivalente a um Festival de Berlim, do ano de 2009, e uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro de mesmo ano, Procurando Elly entra na lista das agradáveis surpresas, vinda de um país que - infelizmente - não temos muito acesso.

A premissa é bem simples, um grupo de amigos, moradores de Teerã decide passar um fim de semana, todo mundo na mesma casa em um lugar paradisíaco. Pois bem, nada de novo até ai, a não ser pela intervenção de Sepideh (Golshifteh Farahani) que decide de surpresa, levar junto a professora de sua filha, a tal Elly (Taraneh Alidoosti). Dai em diante, o roteiro inteligente, faz seu papel e nos guia por um caminho que virá a ser penoso para seus participantes.

Os participantes, são protagonizados por um elenco nervoso. Cinco, seis pessoas chegam a contracenar em uma única cena, mantendo a tensão em grau máximo. A fotografia, joga na tela um Irã diferente daquele mostrado em outras obras - Filhos do Paraíso - e mostra também, iranianos que no mínimo, têm suas cabeças abertas. É impóssível não notar a influência, mesmo em um povo enraizado em suas culturas e costumes, mas o celular sempre a mão, a falta de intimidade com a dança típica do país e outros fatores, comprovam a força da contemporaneidade.

Procurando Elly é um daqueles filmes que possuem o poder de te fazer sentir parte da história. As atuações verdadeiras, o clima de tensão através de um fato que nem se quer temos certeza se aconteceu, a direção - mais uma vez - segura e inspiradora, fazem deste, um cinema puro, um cinema verdade, um cinema inteligente, um cinema iraniano.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Cisne Negro


O que esperar de um filme, onde o diretor de nome estranho (Aronofsky) que já fez trabalhos no naipe de Requiem Para um Sonho, O Lutador e A Fonte da Vida? Uma resposta provável é, mais uma obra prima! E talvez seja justamente essa a palavra que define o último filme do diretor Darren (nome estranho), intitulado, Cisne Negro.

Darren Aronofsky já havia provado seu talento quando o assunto é o ser humano. Em Cisne Negro, o diretor nos proporciona a delirante viagem por dentro da mente pertubada de Nina, personagem vivido com a maestria digna de Oscar de Natalie Portman,

Nina é uma bailarina que têm a oportunidade de interpretar o famoso balé escrito por Tchaikovsky, o Cisne Negro. Ela tem todos os ingredientes para viver o cisne branco, com toda sua aparente fragilidade e inocência, porém, lhe falta a 'perversidade' necessária ao cisne negro. A partir do momento em que surge Lily, Mila Kunis, incrivelmente dada ao papel - e com atributos físicos que, acredito eu, nem Macaulay Culkin teve a oportunidade de conferir – Nina se mostra competitiva e disposta a agarrar o papel. E é a partir daí, que começa a viagem angustiante por dentro de um universo de pânico e claustrofobia, mantidos dentro da cabeça da personagem.

Com ótimas atuações além das já citadas, Vincent Cassel e Winona Rider (quase irreconhecível) e Barbara Hershey completam o elenco principal. Além de tudo isso, é imprescindível não citar a segura e amarrada direção do gênio Darren Aranofsky. Sim, sou suspeito para falar, pois ainda não me decepcionei com nenhum trabalho desse artista instigante. Aronofsky injeta energia, loucura e humanidade em um roteiro que, digamos, é eficiente, mas seria burocrático sem as intervenções do diretor e a mágica atuação de Natalie, praticamente em simbiose com o personagem. Sim, a força dessa personagem é algo que me arrepia só de lembrar. Os olhos de Natalie na cena final da película são daqueles que não esquecemos facilmente.

Clint Mansell, é quem assina e assinou a trilha em praticamente todos os filmes do diretor. Uma trilha poderosa que completa de forma ímpar o frenesi causado pelo pouco mais dos 90 minutos.

A experiência causada por esse clássico contemporâneo é como a mente humana, delicada e terrivelmente assustadora.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

127 horas


Para quem já conhece a incrível história real do montanhista Aron Ralston, sabe (um pouco) o que acontece durante o filme 127 Horas, um dos dez indicados ao Oscar de melhor filme de 2010, que estreia hoje nas salas de cinema do país. Já para quem não conhece a história real, eu posso afirmar, vocês irão encontrar uma direção afiada do sempre competente Danny Boyle (eterno Trainspotting), um roteiro bem amarrado e sem nenhuma, ou com muito poucas falhas, uma fotografia deslumbrante, uma edição voraz, e claro, a magistral atuação de James Franco, que a meu ver, sempre foi um ótimo ator.

Danny Boyle através de pouco mais de 90 minutos, consegue com sua camêra rápida, sentimental, louca e totalmente inventiva contar uma história dramática de alguém que aparentemente, ama a vida, e iria a extremos para não perdê-la. Não caia na armadilha de achar que e por ser um filme onde um cara fica preso em uma fenda de rochas, ele será maçante e arrastado. Além de todos os quesitos já expostos aqui, Danny salva o longa por fazer um trabalho exato, me referindo ao tempo. Talvez outro diretor colocaria 30 minutos a mais, fato que quebraria a hábil narrativa.

A atuação de James Franco, a qual espero não ser injustiçada como na edição de 2009, onde Mickey Rourke foi tristemente deixado de lado, é a de simplesmente viver uma pessoa que ainda está viva. A linha tênue entre caracterização e imitação.

127 Horas trata uma história que genialmente e necessariamente foi levada às telas e nos faz pensar, talvez, no verdadeiro valor da vida. Com isso, vá ao cinema preparado.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Partida


A perfeição nos movimentos, o singelo cuidado em seguir os minímos detalhes, o respeito para com o próximo, mesmo que esse esteja morto, são algumas das lições que o vencedor do Oscar de 2009 de melhor filme estrangeiro 'A partida' transmite nos seus 130 minutos.

Kobayashi é um músico que vê a orquestra em que toca violoncelo ser dissolvida, e se vê na situação de desempregado. Com isso, o personagem se vê 'obrigado' a retornar ao interior do Japão (impressionantemente bem fotografado) junto com sua esposa. Lá encontra um serviço não muito 'normal', tanto para os moradores do pequeno vilarejo, quanto para sua esposa. O serviço em questão é a passagem dos mortos para o outro mundo. Uma espécie de guardião que prepara o corpo para essa transição.

Tudo feito com muito zelo e respeito, como não poderia deixar de ser. O respeito mutúo dos japoneses é intesamente demonstrado na película.

A trilha sonora é um caso a parte. Alternando momentos de calmaria com outros de intenso sofrimento, a música suave do violoncelo dá o ritmo para um filme simples, mas que carrega consigo uma carga dramática nunca vista (por esse que vos fala). Mais uma grata surpresa vinda do outro lado do mundo, que ultimamente, tem feito um trabalho primoroso na sétima arte.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Alice no país das maravilhas


Mais uma história surreal do diretor Tim Burton? Ou apenas mais um filme onde o triângulo 'amoroso' do cinema moderno (Johnny Depp, Tim Burton e Helena Bonham Carter) trabalha para dar vida a uma fábula? Talvez sejam as duas coisas juntas. Alice no país das maravilhas traz talvez o melhor e o pior de Tim Burton.

A trilha continua sendo sua marca registrada. Todo o filme é movido a uma trilha sonora de arrepiar. Nada de muito sombrio, mas algo que contagia. O roteiro de fato, é raso. Mas nada que tire o brilho de um cineasta que não cansa de ousar.

Os cenários da película são algo a parte. A cena em que as duas rainhas, branca e de copas estão para se encontrar é o ápice do filme. Com atuações como de praxe, magníficas, Johnny Depp carrega o filme ao lado de Helena Bonham Carter e Anne Hathaway.

A estreante Mia Wasikowska convence, mas nada de magistral. Por vezes sua imagem é ofuscada pelo restante do elenco. Além disso, um ponto negativo do filme é o 3D. Não espere emergir no mundo de fantasias que é apresentado. Sim, você vai se desviar de objetos, mas nada comparado a Pandora.

Se tratando de um filme cujo diretor já fez obras como Edward Mãos de Tesoura e Peixe Grande, Alice no país das maravilhas já merece ao menos ser visto.

terça-feira, 2 de março de 2010

Porky's - A casa do amor e do riso


Mais uma para o hall das comédias juvenis que você não pode perder.

Ps:. A resenha de 'Picardias Estudantis' se encaixa perfeitamente neste mesmo filme, trocando obviamente, os personagens.