sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Amantes constantes


Talvez uma 'continuação' desprentesiosa de Os sonhadores de Bernardo Bertolluci, ou talvez mais um de tantos outros filmes que dão vida à revolução francesa em maio de 1968. Amantes constantes de Philippe Garrel é um misto dessas duas situações, tratando cada uma delas de uma forma única.

O longa de quase três horas pode soar tedioso, devido a seus planos sequências longos e calados. O diretor nos leva a realidade de jovens que não tinham ocupação fixa e passavam algumas horas do dia se entorpecendo de ópio. A vida por vezes é enfadonha, e talvez seja exatamente isso que o diretor queira nos mostrar, já que a vida seja ela em 1968 ou nos dias de hoje, não é passível de edição.

O elenco conta com o também protagonista de Os sonhadores Louis Garrel, filho do diretor. Coincidências a parte, o filme faz referências cruas e diretas ao diretor italiano Bernardo Bertolluci, como em uma das cenas em que a atriz Clotilde Hesme solta fumaça literalmente na cara do espectador citando o nome do diretor. Não só isso, o filme conta com analogias durante todo o tempo à produção de 2003.

Com uma fotografia magnífica em preto e branco, Amantes constantes ganhou o prêmio na categoria na edição de 2006 do Festival de Veneza. E através da fotografia, o filme nos torna 'intimos' dos personagens e nos faz ficar quase três horas em frente a tela.

É dessa forma crua, lenta e maçante que Philippe Garrel nos leva à uma época em que a juventude se ergueu contra abusos que julgavam desnecessários, mas que além disso, em meio a uma cortina de fumaça, esses jovens se encontravam perdidos. E talvez ainda estamos ou estaremos.

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